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Fagofobia

08 Jun

Me fez bem ficar sozinha
Escutar minha barriga
e outras vozes que emudeço
pra não pirar de overtripa.

…meu Peter Pan revoltado,
inconsolável.
Tornei-me repugnantemente comedida.

Meus olhos pesam
mas me fez estranhamente bem
ficar sozinha
e escutar o meu estranhamento.

Futuquei, anotei, quase senti o cheiro
da umidade do ar condicionado no colegial,
quase vi o cinza dos moletons da Minnie no ginásio.

Ah, os cadernos e suas capas
ah, suas contra-capas
ah, minha vida agora despautada…

Acordei do sonho no meio da queda
e desacordei aqui agora
infinitamente aqui
claustrofobicamente agora
respirando fundo e lutando
pra encarar um borek.

 

About martinelli

small and furious
3 Comments

Posted by on June 8, 2010 in diario

 

3 Responses to Fagofobia

  1. fabio costa

    December 27, 2010 at 05:28

    vejo que o desconsOslo tá em alta, pelo menos frente aos brancos (neve, memória, papel, silêncio, convivência). aqui, apesar do up do bahia, a vida segue vagarosa, embora bem mais ruidosa.

    deu uma puta saudade do metro e meio mais desaforado e genial que conheço. nada de natal ou reveião. acho que seu olhar insolente no profaile do feicebuque me lançou o desafio de tb revisitar minhas tripas, meu silêncio.

    estranhamento, entranhamento: dá no mesmo, you got it. talvez por isso rambô tenha preferido vazar e lidar com outra munição…

    …mas volta e meia futuca-se alguma coisa.

    que bom.

     
  2. mariah

    June 16, 2011 at 16:16

    Oi, Martineli!

    Fiquei muito feliz de receber sua mensagem em meu Blog, estou retornando e gostei muito
    das suas poesias e do seu Blog.Parabéns! Vamostorcando idéias, riscos e rabiscos.

    beijão,
    mariah mariah-tintasversos/mente-corpocura

     
    • Mariah

      October 3, 2011 at 16:00

      Oi, linda!!!!!!!!

      correção ainda que com atraso da frase acima “Vamos trocando idéias, riscos e rabiscos…

      E essa eu deixo pra você do meu livro “Intimidade”

      ESCRAVIDÃO

      A nau perdida no mar revolto,
      trazia almas no seu bojo tosco,
      chorando a dor dos seus tristes ais.

      Princesas negras de altivo porte,
      roubadas a esmo como animais.

      A dor no peito pela violação,
      agrilhoando os braços e o coração
      tão condenadas só pela cor
      como um pecado da Criação.

       

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