O verão, que não veio, perece.
Uma abelha vem morrer na minha sala.
Morta parece mais leve,
menos nobre,
menos viva.
Cortaram o jardineiro.
Os dentes-de-leão periscopam a grama e
miram a minha janela.
Como será o som do carpir das coisas mudas?
Mas: talvez seja o silêncio
o grau máximo do grito.
E apesar do cuidado,
a despeito da delicadeza,
a gema extrapola e vasa,
lavalenta.
[O mundo é um brechó de metáforas!]
E como já disse, o verão perece
e uma abelha vem morrer na minha sala.
