marina martinelli

Malgré

In diario on August 1, 2009 at 11:37 am

O verão, que não veio, perece.

Uma abelha vem morrer na minha sala.

Morta parece mais leve,

menos nobre,

menos viva.

Cortaram o jardineiro.

Os dentes-de-leão periscopam a grama e 

 miram a minha janela.

Como será o som do carpir das coisas mudas?

Mas: talvez seja o silêncio

o grau máximo do grito.

E apesar do cuidado,

a despeito da delicadeza,

a gema extrapola e vasa,

lavalenta.

[O mundo é um brechó de metáforas!]

E como já disse, o verão perece

e uma abelha vem morrer na minha sala.