marina martinelli

Archive for 2009

Retrovisível

In diario on August 1, 2009 at 12:05 pm

Putz, os anos que gastei
para achar minha caligrafia -
que copiei de minha mãe e de uma pessoa que hoje odeio.
Quanto exercício, quantas linhas azuis em aulas tediosas!
Quanta energia gasta em me cartografar!

 Se eu soubesse que ainda hoje eu não saberia…!
E que quando penso em mim e quero descrever-me
sou a lembranca nublada que não sei se vivi ou sonhei
uma terra distante, fictícia,
um monstro das Américas,
com pés, escamas e chifres, cheio de dentes.

Minha memória de mim é sépia,
me vejo através dos olhos de um cachorro.
Mas cato pistas:

 Na minha cabeca o ano é uma elipse com junho e julho na base,
se o tempo passa eu escorrego.
A semana parece um diagrama de colunas coloridas,
mas na verdade, em 3D, é uma mola grossa e irregular.

 

A cara de Deus é um título de Márquez

com um ípsilon de Schultz.

Malgré

In diario on August 1, 2009 at 11:37 am

O verão, que não veio, perece.

Uma abelha vem morrer na minha sala.

Morta parece mais leve,

menos nobre,

menos viva.

Cortaram o jardineiro.

Os dentes-de-leão periscopam a grama e 

 miram a minha janela.

Como será o som do carpir das coisas mudas?

Mas: talvez seja o silêncio

o grau máximo do grito.

E apesar do cuidado,

a despeito da delicadeza,

a gema extrapola e vasa,

lavalenta.

[O mundo é um brechó de metáforas!]

E como já disse, o verão perece

e uma abelha vem morrer na minha sala.

Uns geniais, uns comicos

In diario on June 29, 2009 at 7:42 pm

2cv em flor

Verão em Oslo. Andando pelas ruas da capital viking, nos debatemos com este carro demais de gay!
:D

 

Vira Macho

Vira Macho

Procurando produtos da Heinz na net, me deparei com isso! E estou morrendo de rir até agora! A descricão é impagável:

Vira Macho T 3/16 ” – 5/16 ” VMT-2 H-502 – Heinz

-Utilizados para giro manual de machos de rosquear.
-Possuem garra móvel ajustável aos diversos padrões de machos disponíveis.
-Capacidade: 3/16″ à 5/16″
-Para haste de 4,0 – 5,3 mm
-Peso: 0,050 Kg

bayamesa

In diario on June 21, 2009 at 12:22 am

O verão prometido não chegou. Ainda. Mandou prenuncios enganosos, dois dias bonitos de primavera. Junho se chove, tobogando de segunda a segunda.

Na verdade,… nao importa. A segunda tropeca na terca sem que eu tenha tempo – forcas – para cuidar desta coisa dentro de mim que quer produzir, e nao arquivar. Para ser mais. Para sentir(-me) mais. Trabalho em uma cidade e moro em outra. Esqueco minha propria lingua. Lembro do cheiro, da luz, da carteira da sala de terceira serie, mas nao consigo lembrar da expressao que procuro: a que se refere aa pesoa que mora em uma cidade e trabalha em outra.

No trem a caminho do trabalho exerco as vezes o prazer voyeur de escutar a conversa dos outros. Aqui nao se conversa muito. Aqui se escuta musica no i-pod, aqui se le o jornal, aqui se tecla, se twitta, no trem.

Da escada rolante da estacao de metro do Teatro Nacional vejo o texto em neon correndo na parede – uma fala de Puck. “Cupid is a knavish lad, / Thus to make poor females mad”. Contando os minutos, atravesso a porta giratoria e passo pelo junkie e seu carrinho de supermercado com a seguinte placa: “Desfaca-se de algumas coroas e alegre meu dia”. A papelaria fecha em cinco minutos. Quase corro. Passo por grupos de turistas entretidos com a escrita na calcada. Frases de Ibsen embutidas na pedra-sabao e o homem-estatua provavelmente intoxicado de tanta tinta dourada no corpo agucam meu sentimento de culpa. A papelaria fechou. Volto aa estacao de metro, sem alegrar a vida do junkie, e espero o metrô 5.

Calcada da Karl Johansgt, frases de Ibsen. Read the rest of this entry »

consumo

In diario on May 5, 2009 at 7:29 pm

em homenagem aa minha mais nova aquisicao, minha mais antiga paixao e aa minha conviccao de que aas vezes a traducao eh melhor do que o original:

aquisicao:

049

paixao:

Sonho Impossivel
(Versao: Chico Buarque)

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
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Ataques espontâneos de português

In diario on March 22, 2009 at 12:55 pm

As últimas de Zé:

- me acordou quinta-feira dizendo “Bom dia, meu amor. Escreve!”

- agora mesmo, assim que acabamos de tomar nosso cafe da manhã, gritou: “Não tem braco!”.

O melhor do melhor

In diario on February 21, 2009 at 5:10 pm

Gente… melhor que isto nao fica! Um vídeo produzido pela minha amada prima Priscilla, filmado pela minha primunhada Lu, no lugar mais lindo do mundo (Boipeba), sobre minha mae e mae de todos Iemanja, no qual se entrevista meu idolatrado tio Olympio!!!!!!!

Deleitem-se!

Revelando misterios da nossa infancia

In diario on February 8, 2009 at 9:19 pm

Comecem aos 6:40 minutos

:)

casal vaidoso

In diario on January 30, 2009 at 1:40 am

lindos-002

Para Lena

In diario on January 25, 2009 at 9:37 pm

Ida Maria, “Oh my God”

Viva Papai!!!!!!

In diario on January 17, 2009 at 11:52 am

Putz, vocês não podem imaginar o tamanho do meu orgulho! O cara mais fantástico do universo – meu pai – acaba de ganhar o prêmio da Academia de Letras da Bahia/Brasken de literatura!!!

vejam a notícia no site dele: http://ordepserra.wordpress.com/ 

“Sete portas” é um conjunto de contos que ele já vem escrevendo há um bom tempo. Lembro que ainda na época em que eu morava na casa de meus pais, ele vinha me pedir pra ler os textos e dar opinião. Realmente fabulosos! Meu pai é de um talento sem igual. Além do orgulho, me sinto muito agradecida pelo privilégio que foi crescer ouvindo suas histórias, lendo seus livros, minha vida decorada pelas imagens que suas palavras construíam (e constroem) na minha cabeca.

Parabéns, papaiopote! Só me dói não estar aí para comemorar com você!

(Um dia desses vou me aliar com Lena  e ver se a gente lembra juntas e posta nos nossos blogs as músicas que você inventava quando a gente era crianca.)

Cotidiano

In diario on January 15, 2009 at 12:49 am

Às três pras quatro em toda -feira
O negro, a velha, o mauri, a feia
Esfregam as mãos, ombro a ombro
No ponto da Curva da Fronteira.

Chega o ônibus vinte e um
Entram
(O negro, a velha, o mauri, a feia)
Meneiam boa tarde ao motor
Escorregam nas lacunas acolchoadas

A voz mecânica anuncia a próxima parada
E a próxima parada, e a próxima
Uns passageiros se escondem cabisbaixos
Dois passageiros se escondem forolhando

Chega a um certo ponto o ponto
O negro, a velha, o mauri, a feia
Se descarregam da caixa rubra
na mesma ordem que entraram.

Seguem pra mesma rua
seus passos em contratempo
abrem cada um pra si
o portão do mesmo prédio
entram em seus apartamentos
(portas ombro a ombro)

Habitam vidas paralelas
nunca se conhecendo.