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Na Memória

Se este céu azul gentil que flagrei pairando

sobre minha cabeça na saida do metrô

ou se eu gostasse de rimas…

Mas minha despedida só me chega assim

como a sua memória e as coisas que a invocam

a máquina fotográfica no parapeito, o açucareiro de cristal,

a cafeteirinha, a banana-maçã,

a memória da sua memória e memórias.

O olhinho apertado espremendo a lágrima densa

a mão batendo no joelho e a marca soluçada:

- é isso aí, viu, meu bem.

(…o jeito de pronunciar o “e”…)

É a história do apaixonar-se por cabelos ruivos,

as sagas dos tios, bisavós e gerentes.

Sua memória me pega de susto nas coisas pequenas.

Talvez pela sua forma – lição! - de ressaltar

a grandeza das coisas pequenas,

a nobreza das coisas grandiosas,

o valor dos gestos e palavras

e pessoas e lugares e principios.

Que bonito cumprir a vida, vô,

sem deixar nada desdito.

Seja bem vindo nos meus sonhos,

nas minhas lembraças,

no meu engasgo quando os dedos

se encontrarem no talo da taça

e eu lembrar dos seus olhos macios.

Alguém me disse que esta saudade

se sente como um vazio pesado.

É isso aí, viu, meu bem.

 
6 Comments

Posted by on September 30, 2011 in literario

 
 
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