Se este céu azul gentil que flagrei pairando
sobre minha cabeça na saida do metrô
ou se eu gostasse de rimas…
Mas minha despedida só me chega assim
como a sua memória e as coisas que a invocam
a máquina fotográfica no parapeito, o açucareiro de cristal,
a cafeteirinha, a banana-maçã,
a memória da sua memória e memórias.
O olhinho apertado espremendo a lágrima densa
a mão batendo no joelho e a marca soluçada:
- é isso aí, viu, meu bem.
(…o jeito de pronunciar o “e”…)
É a história do apaixonar-se por cabelos ruivos,
as sagas dos tios, bisavós e gerentes.
Sua memória me pega de susto nas coisas pequenas.
Talvez pela sua forma – lição! - de ressaltar
a grandeza das coisas pequenas,
a nobreza das coisas grandiosas,
o valor dos gestos e palavras
e pessoas e lugares e principios.
Que bonito cumprir a vida, vô,
sem deixar nada desdito.
Seja bem vindo nos meus sonhos,
nas minhas lembraças,
no meu engasgo quando os dedos
se encontrarem no talo da taça
e eu lembrar dos seus olhos macios.
Alguém me disse que esta saudade
se sente como um vazio pesado.
É isso aí, viu, meu bem.